A magia da dança transformando vidas

Foto dos alunos Fábio Luiz Santos Carioca e Ítalo Ril Vijal, acompanhados da professora de dança

O Centro de Reabilitação, Profissionalização e Convivência, da Associação Catarinense para Integração do Cego – ACIC, vem realizando desde 2012 trabalho envolvendo a dança, a qual percebeu-se que poderia constituir-se em instrumento potencializador ao processo de habilitação/reabilitação das pessoas com deficiência visual.

No transcorrer deste período, foi possível observar que os participantes, por meio dos movimentos gerados pelo ato de dançar, quebram o paradigma da impossibilidade, superando desafios, tornando-se sujeitos visíveis para a sociedade.

O ritmo da música, a poesia de cada coreografia, o movimentar-se, seja de modo amplo ou restrito, permite a estas pessoas a saída do esconderijo da deficiência, pois com a percepção que vão adquirindo de si, do espaço, do mundo, conseguem, por meio da magia da dança, visualizar sua inteireza, sua beleza, singular e que apenas pode ser contemplada por aqueles que vão além do mito da perfeição.

Esta ruptura da incapacidade, do impossível, teve como palco o teatro Pedro ivo Campos no dia 02 de setembro, onde foi exibido o espetáculo “Em busca de um sonho”, cujos protagonistas foram Fábio Luiz Santos Carioca e Ítalo Ril Vijal. As coreografias apresentadas "Asas para voar pés para dançar", "Bengalante" e " Pequeno, Grande Gigante", demonstraram com leveza e fluidez que a palavra “limite” tem seu conceito modificado a cada novo movimento.

O espetáculo trouxe outras apresentações e tinha como foco a divulgação do resultado da escolha de Milena Marafioti, bailarina catarinense que dança no Bolshoi, para estudar em uma escola de dança, em Nova Yorque.

As apresentações realizadas por Fábio e Ítalo foram muito elogiadas pelos expectadores. O bailarino profissional do Bolshoi, Gustavo Nunes, ofereceu aos dois sua sapatilha como forma de demonstrar o quanto sentiu-se emocionado com o espetáculo que presenciou.

A performance dos dançarinos demonstrou a quem esteve naquele teatro que a dança não é apenas privilégio de corpos que estão dentro dos padrões, atuando, sim, como um veículo de inclusão, derrubando mitos, e auxiliando, com ritmo, movimento, sincronia e beleza, na construção da palavra cidadania.